Quando Grupo Mateus, uma das maiores redes de varejo alimentar do Brasil, anunciou seus números do primeiro trimestre de 2026 (1T26), o mercado respirou aliviado. A empresa reportou um crescimento robusto de 12,9% na receita líquida em comparação ao mesmo período do ano anterior e, talvez mais importante para a saúde financeira imediata, gerou R$ 323 milhões em caixa durante os três meses.
A divulgação ocorreu em meio a um cenário econômico ainda sensível para o consumidor brasileiro, onde o poder de compra tem oscilado entre inflação residual e juros altos. O fato de a companhia manter esse ritmo de expansão, negociada sob o ticker GMAT3 na B3 – Brasil, Bolsa, Balcão, sinaliza resiliência operacional significativa.
O peso dos números e a continuidade do crescimento
Aqui está o detalhe que chama atenção: esse não é um caso isolado de bom desempenho. Para entender a magnitude, precisamos olhar para trás. No primeiro trimestre de 2025, o Grupo Mateus já havia apresentado uma receita líquida de R$ 8,331 bilhões, com lucro líquido saltando para R$ 318,6 milhões — um aumento impressionante de 32,5% sobre o 1T24.
No segundo trimestre de 2025, a tendência se manteve firme. A receita líquida atingiu R$ 8,8 bilhões (alta de 15% ano a ano) e o lucro foi de R$ 349 milhões. Agora, com o 1T26 mostrando alta de receita de 12,9%, a narrativa de crescimento consistente se solidifica. Embora os detalhes completos de margens e lucros do novo trimestre estejam sendo digeridos pelos analistas, a geração de caixa de R$ 323 milhões é um indicador chave de eficiência operacional.
Comparativamente, no terceiro trimestre de 2024, a empresa registrou lucro de R$ 379,2 milhões sobre receita de R$ 8,337 bilhões. A sequência temporal mostra uma empresa que não apenas cresce em volume, mas consegue converter vendas em fluxo de caixa tangível, algo crucial num setor de margens apertadas como o varejo de alimentos.
Contexto de mercado e valuation
Mas espere, porque nem tudo são flores no gráfico de ações. Apesar dos fundamentos sólidos, a ação da GMAT3 enfrentou pressões recentes. Dados da plataforma Status Invest indicam que as cotas vinham acumulando queda em 2026, coticando-se em torno de R$ 4,35 a R$ 4,42, bem abaixo do máximo de 52 semanas de R$ 8,09.
Essa discrepância entre bons resultados operacionais e valorização negativa da ação gera um questionamento natural entre investidores. Analistas da Nord Investimentos, em relatórios anteriores, mantinham recomendação "neutra" para o papel, apontando múltiplos atrativos (12x lucro e 7,5x Ebitda) comparados às médias históricas da bolsa. A percepção atual sugere que o mercado pode estar precificando riscos macroeconômicos ou ajustando expectativas de longo prazo, independentemente da performance trimestral positiva.
Histórico de consolidação no varejo
Para contextualizar melhor, vale lembrar que o Grupo Mateus se consolidou como o quarto maior supermercadista do país. Um relatório da Genial Investimentos de janeiro de 2023 já destacava sua posição forte, com preço-alvo otimista de R$ 8,00 para a época. Desde então, a empresa tem expandido sua presença, especialmente no Nordeste, sua base tradicional, enquanto busca ganhos de eficiência logística e digital.
A trajetória desde 2024 até o início de 2026 demonstra uma gestão focada em escala e controle de custos. O Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) tem mostrado expansões de margem consistentes, tendo subido de 6,9% para 7,8% no 1T25, por exemplo. Essa disciplina financeira é o que permite gerar centenas de milhões em caixa mesmo em ambientes desafiadores.
O que esperar a seguir?
O próximo passo será observar se essa geração de caixa de R$ 323 milhões no 1T26 será reinvestida em novas lojas, tecnologia ou redução de dívidas. Com uma dívida líquida/Ebitda historicamente baixa (0,47x no 2T25), a empresa tem flexibilidade estratégica. Investidores devem ficar atentos aos próximos releases trimestrais para ver se a margem de lucro acompanha o crescimento da receita, mantendo a tese de valor intacta.
Frequently Asked Questions
Qual foi o crescimento da receita do Grupo Mateus no 1T26?
A receita líquida do Grupo Mateus cresceu 12,9% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025. Esse número reforça a trajetória de expansão da rede, que também apresentou altas similares nos trimestres anteriores, como os 12,9% do 1T25 e 15% do 2T25.
Quanto de caixa a empresa gerou no trimestre?
O Grupo Mateus gerou R$ 323 milhões em caixa durante o primeiro trimestre de 2026. Essa geração de fluxo financeiro é um indicador positivo de saúde operacional, permitindo à empresa honrar compromissos, investir em expansão ou reduzir passivos sem recorrer a novas captações de recursos.
Por que a ação GMAT3 caiu se os resultados foram bons?
Apesar dos resultados operacionais positivos, fatores macroeconômicos e ajustes de valuation podem pressionar o preço da ação. A GMAT3 negociou abaixo de R$ 4,50 em 2026, refletindo cautela do mercado em relação ao ambiente econômico geral, inflação e juros, que afetam o consumo final e as expectativas de lucro futuro.
Como o lucro líquido evoluiu nos últimos trimestres?
O lucro líquido mostrou solidez recente: R$ 318,6 milhões no 1T25 (alta de 32,5%), R$ 349 milhões no 2T25 (alta de 7%) e R$ 379,2 milhões no 3T24. Embora o lucro exato do 1T26 não tenha sido detalhado no resumo inicial, a geração de caixa e o crescimento de receita sugerem continuidade dessa performance sólida.
Onde o Grupo Mateus opera principalmente?
O Grupo Mateus tem sua base histórica e forte atuação na região Nordeste do Brasil, expandindo-se gradualmente para outras regiões. É considerado o quarto maior supermercadista do país, com operações diversificadas que incluem atacarejo e varejo tradicional, listada na B3 sob o código GMAT3.